segunda-feira, 2 de julho de 2012

O PEIXE DE CAFARNAUM

 Cafarnaum, significa Aldeia de Naum, era uma cidade portuária, a beira do Mar da Galiléia. Com muitas tendas de mercadores, havia muitas pessoas andando pra lá e pra cá, em busca de produtos que, certamente, só ali encontrariam: especiarias, temperos, tecidos, jóias.
A troca de câmbio, das mais variadas moedas, era uma constante naquela pequena, porém povoada cidade. Ouvia-se ao longe os gritos dos vendedores chamando seus fregueses, abordando-os nas estreitas passagens que havia entre o turbilhão de tendas existentes no local. O tilintar das moedas era um som agradável aos ouvidos daqueles que, para garantir o sustento de sua família, ia até o porto de Cafarnaum vender seus produtos.
Como vários ali, um homem não se destacava, em especial, da multidão de transeuntes que movimentava o frenético ir-e-vir do mercado local, a não ser pela desventura de, num de seus dispendiosos movimentos para atrair a atenção do povo, ter esbarrado na sua bacia de barro, onde guardava as moedas que ia recebendo como pagamento pela venda de seus produtos, e as esparramou todas pelo chão. Num momento de susto, abandonou sua estratégia de divulgação comercial e passou a, rapidamente, recolhe-las no chão. Porém uma, das maiores que havia recebido naquela manhã, viu descendo a rua, saltitando entre as pedras e caindo diretamente no Grande Lago, chamado Mar da Galiléia. Era uma moeda de prata chamada Estáter, que valia o equivalente a quatro Drácmas, ou quatro dias de trabalho.
Aquilo entristeceu o comerciante. Tinha sido a melhor venda daquela manhã, e uma das melhores da semana! E agora, por um descuido de sua parte, o Estáter caiu no lago. Desanimado ele retoma seu labor, com menos ânimo agora, pesando na sua consciência a perda da maior moeda.
 Próximo dali, em meio às pedras submersas, dos palanques do cais, dos lixos jogados no fundo do Lago, havia um peixe, que por hábito, passeava por aquelas águas, em busca de alimento. Nada havia de anormal em sua vida, que o tirasse daquele rotineiro passeio matinal no porto de Cafarnaum, em busca de seu desjejum. Ficava ali, esperando que algum mercador de peixes jogasse os restos mortais dos animais apanhados e limpos para a venda, tornando assim um delicioso banquete para aqueles que tiveram a sorte de não terem sido apanhados por aquelas redes. Os restos de frutas também lhe eram os preferidos: suculentos figos, pedaços de tâmaras e deliciosos damascos! Porém os mais disputados eram as migalhas de pães que as crianças jogavam na água, para ver o fervo dos peixes junto à margem.
Mas naquela manhã ele não queria participar da festa em disputar as migalhas de pão. Queria um pouco de sossego, e nadou para águas mais tranqüilas, beirando o porto, onde haviam muitos barcos ancorados. De repente seus olhos parecem não acreditar. Algo atraente, brilhoso, lindo vinha em sua direção, como se fosse um grande pedaço de pão cintilante que descesse dos céus e caísse no Mar da Galiléia. Mas do que depressa, esforçou-se ao máximo para abrir sua boca e num gesto ligeiro e destro, abocanhou, mas não conseguiu engolir aquilo que, sem saber, era uma grande moeda de prata, chamada Estáter.
Feliz, com a pesada moeda em sua boca, nadou para um pouco mais longe dali, a fim de tentar engolir e fazer a digestão de seu suntuoso café da manhã quando, agora, avista outra coisa suculenta em sua frente: uma deliciosa minhoca, posta em um anzol. O peixe pensou: “deve ser o meu dia de sorte!” e rapidamente abocanhou aquela deliciosa iguaria. Por um segundo, sentiu um forte puxão, seu corpo esguio foi arrancado com violência da água. Tudo rodou e já não conseguia saber o que estava acontecendo. Seus pensamentos rodavam em sua pequena cabeça. “Será esse o fim, que todos comentam?”. Num último esforço, já sem poder respirar, consegue abrir seus olhos. Vê na sua frente à face de um homem sisudo, com o rosto castigado pelo sol, olhando curiosamente para ele e abrindo sua boca, retirando a moeda. No seu rosto, um sorriso. Seu nome: Simão Pedro.

“Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto das duas drácmas e perguntaram: Não paga o vosso Mestre as duas drácmas? Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti”. (Mt. 17: 24-27).

Muitas pessoas hoje em dia estão em um desses dois caminhos: o de Simão Pedro, que apesar de estranha a ordem de Jesus, obedeceu e o fez; e o do peixe de Cafarnaum, que abocanhou algo que não podia engolir, e mesmo com a boca cheia, quis mais.
Simão Pedro já havia estado ao lado do Mestre por muitos dias, sabia de suas capacidades divinas, de Seu Poder e Autoridade. Por isso, não exitou ao receber a estranha ordem, de ir ao Mar da Galiléia, lançar o anzol na água, puxar o primeiro peixe que fisgasse, abrir-lhe a boca e retirar dela um Estáter, uma grande moeda de prata que daria para pagar o imposto do Senhor e dele. Pedro, experiente pescador, já havia pegado milhares de peixes. Normalmente esses peixes que viviam das migalhas do porto tinham coisas interessantes dentro de seus estômagos, pois eram acostumados a engolirem tudo o que viam caindo, mas Pedro jamais tinha visto um peixe com uma moeda tão grande ainda dentro de sua boca. Parecia realmente uma loucura fazer aquilo, mas ele o fez! Acreditava nas Palavras de Jesus, sabia que, por mais insano que parecesse aquela ordem, aquilo iria realmente acontecer. Pedro precisou apenas crer na Palavra do Senhor e se DISPOR a fazer aquilo que Ele o tinha ordenado. Quantas vezes o Espírito Santo de Deus nos dá uma ordem, mas por parecer “estranho” aos nossos conceitos pré-estipulados do que é normal ou bom para nós, desapontamos ao Senhor e não obedecemos à ordem dada pelo Espírito Santo de Deus. Quantos de nós ainda hoje vivem como se nada Deus requeresse de nós?! Pedro já havia provado do poder de Deus, na noite em que Jesus andou sobre o mar. Pedro não iria mais duvidar. Por que maior loucura do que aquela de andar sobre as águas?! Algo que ele jamais havia imaginado acabara de acontecer, bem diante de seus olhos e ele mesmo pode provar um pouco daquilo. Quando duvidou, imediatamente as barreiras do milagre se romperam e ele submergiu. Pedro decidira não mais duvidar do Mestre, custe o que custar. Sabia que a dúvida era algo que impedia o milagre de acontecer. “E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu Nome expelirão demônios…” (Mc. 16: 17). Os sinais acompanham a quem é servo do Senhor Jesus Cristo, a quem tem autoridade no Nome de Jesus (Mt. 10:1) e àqueles que CREREM NOS SINAIS do Senhor. De nada adianta você crer no Senhor, ter a autoridade no Seu Nome mas não acreditar que os sinais vão se realizar, não crer que os demônios serão expulsos ou – pior! – não acreditar que eles sequer existem e são expulsos pela Autoridade do Nome de Jesus.
Muitos ainda são como aquele peixe, de Cafarnaum. Ficam vagando por entre o lixo, por entre o entulho, nos lugares onde o mundo despeja os restos mortais das pessoas, os dejetos espirituais, as migalhas sociais. E se deliciam com isso, transformando esse macabro prato de morte em um delicioso banquete. Ficam iludidas vagando no meio da ruína, esperando que um dia “a sorte baterá a sua porta”. Acham realmente que ali, no meio da sujeira, poderão encontrar algo que lhes possa saciar a alma.
Vamos esquecer, por um instante, que aquele peixe foi o objeto de um milagre, utilizado por Deus, na Sua Divina Misericórdia. Vamos analisar a situação de pessoas que se encontram numa vida vazia e sem rumo, buscando a felicidade onde não podem encontrar e utilizando-se de falsos valores para suprir a ausência de amor em suas vidas. Não obstante, existem pessoas que no meio do lixo podem encontrar algo bom. Quando seus olhos avistam alguma coisa que – enganosamente – parece ser boa e agradável, mas é algo que não podem suportar. Abocanham aquilo e não podem engolir, e ficam por aí passeando com o pecado na boca (Tiago 1:26). Mesmo tendo, supostamente, achado algo bom e agradável, não se contentam com aquilo e querem mais. Ao ver outra oferta do mundo, abocanham sem pensar e são tragados, por causa da sua cobiça e ganância (Hb. 13:5).

Em qual dos dois caminhos você está?! No caminho de Pedro ou no caminho do peixe de Cafarnaum? Pense nisso, em Nome de Jesus.

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