sábado, 14 de novembro de 2015

Certa vez Jesus ia passando com Seus discípulos e viu um cego de nascença e os discípulos fizeram a pergunta que todo mundo faz quando alguém está doente: “Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (João 9:2). Em outras palavras eles queriam saber se o cego, ou seus pais, tinha cometido algum pecado e por isso estava em sofrimento, pagando seus pecados.
Jesus tratou de esclarecer logo as coisas e disse: “Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.” (João 9:3). Jesus também explicou que convinha que Ele fizesse as obras do Pai, enquanto havia tempo, logo viria a noite quando ninguém pode trabalhar e que Ele é a luz do mundo.
Havendo dito isso, Jesus cuspiu na terra, fez lodo com a saliva e ungiu os olhos do cego e disse ao cego: “Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado).” (João 9:7). Tudo na cura do cego teve a intenção de mostrar aos judeus que Jesus era o seu Messias. O tanque se chamava Siloé, que quer dizer Enviado. Jesus estava dizendo que Ele era o Enviado por Deus para resgatar Israel de seus pecados.
Em nenhuma outra ocasião Jesus curou alguém cuspindo na terra e aplicando a lama na região afetada pela enfermidade, mas naquele cego Jesus aplicou Sua saliva nos olhos dele. A razão é que apesar daquela enfermidade ser para se manifestar a glória de Deus, aquele homem estava a muitos anos aprisionado pela cegueira, que gerou dependência até para se locomover e toda doença é do diabo, ainda mais aquelas que minam a alma, além de debilitar o corpo.
O interessante é que o cego foi se lavar e voltou enxergando tudo e aí começou uma confusão entre os vizinhos e as pessoas que conheciam o homem como cego e agora ele estava vendo com perfeição e eles começaram a se perguntar: “Não é este aquele que estava assentado e mendigava?” (João 9:8). Uns diziam que era ele mesmo, outros diziam que era parecido com ele, mas não era ele o cego que mendigava e foi preciso o ex cego dizer que era ele, sim.
Depois de tirar as dúvidas que era ele mesmo, os judeus queriam saber como aconteceu aquilo e o ex cego respondeu o que sabia: “O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé, e lava-te. Então fui, e lavei-me, e vi.” (João 9:11). O homem chamado Jesus o curou.
Jesus não estava mais presente e os fariseus queriam que o homem desse conta de onde estava Jesus, isso porque era um sábado e era aquela velha cantilena farisaica: sábado não pode curar. Depois de apurar o caso e ficar esclarecido que Jesus curou um cego de nascença num sábado, os fariseus disseram: “Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado.” (João 9:16a). Mas esta não era a unanimidade entre eles, pois alguns diziam: “Como pode um homem pecador fazer tais sinais?” (João 9:16b). Os fariseus não se entendiam e houve uma dissensão entre eles.
Os fariseus que tentavam provar que Jesus era do diabo e não de Deus, não se deram por vencidos e perguntaram para o homem que foi curado sua opinião sobre Jesus e depois mandaram buscar os pais do cego curado, porque não acreditavam que o homem era cego e seus pais deram depoimento afirmando que seu filho era cego mesmo e de nascença.
Não pense que a polêmica terminou por aí, a confusão foi longe, até que mandaram chamar o ex cego de novo e a pergunta foi a mesma: quem o curou e como fez isto.
O homem era cego, vivia mendigando, nenhum dos fariseus fez nada por ele até que foi curado por Jesus, estava pronto para começar uma vida nova, deu seu depoimento na Sinagoga para os fariseus, mas não adiantou, ele foi chamado de novo, para repetir sua história e aí ele disse: “Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos também seus discípulos?” (João 9:27). Boa resposta.
Quem não gostou muito foram os fariseus. Eles ficaram um cadinho bravos mesmo e injuriaram o ex cego, dizendo: “Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés. Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é.” (João 9:28-29). Eu não disse que os doutores da lei não gostaram da resposta do ex cego?
Pois bem. O cego curado não se intimidou e respondeu: “Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos.” (João 9:30). Nisto está a maravilha. Os fariseus não conheciam Jesus, mas Ele operava maravilhas. Nisto consiste a maravilha até os dias de hoje: embora muitos não o conheçam, embora muitos o rejeitem, Jesus é Deus e opera maravilhas.
O que se seguiu foi uma verdadeira lição que aquele homem humilde, que vivia da caridade alheia, deu nos doutores da lei, veja: “Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.” (João 9:31-33). Bela lição! E bem feito! Os fariseus desprezaram aquele homem e ele lhes deu uma belíssima lição.
Acabou que os fariseus expulsaram o cego curado da Sinagoga. Quando faltaram os argumentos os fariseus partiram para a ignorância.
Depois destas coisas Jesus soube que os fariseus haviam expulsado o cego curado do Templo e outra vez encontrou com ele e disse: “Crês tu no Filho de Deus?” (João 9:35). E ele respondeu com sinceridade para Jesus: “Quem é ele, Senhor, para que nele creia?” (João 9:36). E Jesus respondeu: “Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo.” (João 9:37). Ele disse: “Creio, Senhor. E o adorou.” (João 9:38).
A sinceridade de coração é muito importante para Deus, Ele não quer palavras vazias de sentimentos, não quer vaquinhas de presépio, Ele deseja que você fale com Ele com toda sinceridade, com suas próprias palavras e aí, sim, Ele opera maravilhas em sua vida.
A obra estava completa. Aquele cego de nascença encontrou com Jesus e tudo mudou em sua vida. Ele voltou a enxergar, deixou de ser mendigo, passou a produzir, caminhar livremente, ver a alegria das cores, do sol, as formas das pessoas, dos animais, das árvores e se converteu ao Deus Jesus.
A obra de Deus na vida daquele homem não se resumia a fazê-lo voltar a enxergar, era muito mais que isto, era uma mudança absoluta, completa e coroada com sua salvação. Não se sabe de mais nada da vida do cego curado por Jesus, o que se sabe é suficiente para dizer que a manifestação da glória de Deus é uma mudança completa na vida de uma pessoa.
Não importa qual seja a sua dor, qual seja o seu sofrimento, muitas vezes feridas da alma doem mais que as doenças do corpo, mas Jesus é o único que cura corpo, alma e espírito e Ele só quer o seu coração. Reconheça Jesus como seu Salvador e toda cegueira do seu espírito será imediatamente curada.
BISPO Anderson Camargo

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