sexta-feira, 15 de abril de 2016

Deus não vê como o homem, que só consegue enxergar a aparência, Deus vê o coração e sabe das intenções por trás das atitudes. O texto de hoje fala de bênção, maldição, obediência, meia obediência e desobediência.
O povo de Israel estava acampado nas campinas de Moabe, era um povo numeroso e tinha com ele um Deus Todo Poderoso, que o tirou do Egito com mão forte e isso amedrontou os moabitas. O medo era grande entre os moabitas e os midianitas, habitantes das campinas de Moabe e eles foram cobrar do rei Balaque uma atitude de proteção.
Balaque mandou mensageiros a Balaão, que era um profeta bem conhecido, dizendo: “Eis que um povo saiu do Egito; eis que cobre a face da terra, e está parado defronte de mim. Vem, pois, agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois mais poderoso é do que eu; talvez o poderei ferir e lançar fora da terra; porque eu sei que, a quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado.” (Números 22:5-6).
A fama de Balaão era justamente porque a quem ele abençoava, era abençoado e a quem ele amaldiçoava, era amaldiçoado. Uma boa fama. Só tinha um probleminha, Balaão gostava demais de dinheiro e todos sabiam disso também.
Lá se foram os anciãos dos moabitas e midianitas com a oferta do rei Balaque, que era o preço dos “encantamentos” em suas mãos e com o recado do rei. Balaão não despachou os homens, pediu apenas que eles passassem a noite na casa dele e de manhã ele diria o que Deus havia decidido. Balaão não consultou a Deus, foi Deus quem veio a ele e perguntou: “Quem são estes homens que estão contigo?” (Números 22:9). Balaão explicou o que queriam os homens de Balaque e Deus disse: “Não irás com eles, nem amaldiçoarás a este povo, porquanto é bendito.” (Números 22:12).
Bom, se Balaão tivesse a melhor das intenções, teria despachado a comitiva de Balaque de cara, afinal a proposta era para amaldiçoar o povo de Deus. E outra, ele não buscou de Deus uma orientação, foi Deus quem veio a ele e disse que ele não fosse com aqueles homens. Deus não sabia quem eram aqueles homens? Claro que sabia, a pergunta foi para efeito retórico, foi apenas para convencer Balaão através das palavras.
De manhã Balaão despachou a comitiva do rei Balaque e disse que Deus se recusou a deixá-lo ir com eles. Balaque não se deu por vencido e mandou outra comitiva composta de príncipes mais honrados que os primeiros e com uma proposta irrecusável: “Rogo-te que não te demores em vir a mim. Porque grandemente te honrarei, e farei tudo o que me disseres; vem pois, rogo-te, amaldiçoa-me este povo.” (Números 22:16-17).
Observe que o rei Balaque não cogitou na possibilidade de Balaão não aceitar sua proposta, pediu apenas que ele não se demorasse e dobrou sua oferta de dinheiro. Balaão tornou a pedir que os príncipes pernoitassem em sua casa, pois no dia seguinte ele daria sua resposta.
Pois bem. A decisão de Balaão era ir com a comitiva de Balaque em troca de ouro e prata. Deus já havia dado Sua sentença, já tinha determinado que Balaão não fosse com aqueles homens e que não amaldiçoasse Israel, então ele teria que despachar o povo da porta, não tinha mais conversa, mas ele mandou que a comitiva ficasse em sua casa naquela noite e de manhã ele daria sua resposta.
De noite veio Deus outra vez falar com Balaão, mas desta vez Deus deixou Balaão seguir viagem, com a condição de só fazer o que Deus permitisse que fosse feito. Balaão ficou feliz da vida, iria receber uma boa quantia do rei Balaque e albardou sua jumenta e seguiu com os príncipes de Moabe.
O texto diz que se acendeu a ira de Deus contra Balaão, porque ele foi com a comitiva dos moabitas e o anjo do Senhor se pôs no caminho contra Balaão, que seguia com sua jumenta e dois servos seus. Balaão não viu o anjo do Senhor com a espada desembainhada na mão, mas a jumenta viu e se desviou do caminho. Balaão, ignorante todo, espancou a jumenta para fazê-la voltar ao caminho. Isso aconteceu três vezes.
Na terceira vez a jumenta empacou de vez, deitou debaixo de Balaão e não havia quem fizesse a bichinha se levantar, nem as pancadas de seu dono. Como Deus é muito criativo e pode todas as coisas, Ele abriu a boca da jumenta para falar com Balaão que lhe disse: “Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes?” (Números 22:28b). A partir daí começou um inusitado diálogo entre Balaão e sua jumenta.
Balaão justificou as pancadas, porque ela zombou dele e ainda disse que se tivesse uma espada ele a mataria. A jumenta ponderou que ela prestava serviços a ele por tantos anos e que nunca fez aquilo. Balaão foi se acalmando, então o Senhor abriu os olhos de Balaão e ele viu o anjo do Senhor que estava no caminho com a espada desembainhada na mão e ele entendeu tudo o que estava acontecendo e se prostrou com o rosto em terra.
O anjo do Senhor falou direto com Balaão e disse: “Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim: porém a jumenta me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se ela não se desviasse de diante de mim, na verdade que eu agora te haveria matado, e a ela deixaria com vida.” (Números 22:32-33).
Deus não gostou nadinha de Balaão espancar sua jumenta, aliás, Deus não estava nem um cadinho satisfeito com Balaão e a razão é que Deus conhece o coração e o que Ele estava vendo no coração de Balaão não era bonito, seu caminho era perverso aos olhos do Senhor.
Balaão se desculpou com Deus e se dispôs a voltar, mas Deus tinha outros planos para ele e determinou que ele fosse com os moabitas, só não iria dizer o que bem entendesse, mas somente aquilo que Deus determinasse.
Balaque ficou feliz da vida quando avistou Balaão, mas o que ele não sabia é que Deus havia amarrado a boca do homem para só falar o que Ele determinasse. De manhã Balaque matou dois bois, mandou para Balaão e levou o profeta no alto de Baal para de lá ele amaldiçoar Israel. Não deu certo. Ao invés de amaldiçoar, quando Balaão abriu a boca só saiu bênção para o povo de Deus. Balaque se desesperou e disse: “Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos, mas eis que inteiramente os abençoaste.” (Números 23:11).
Que enrascada! Balaque pagou os tubos para Balaão amaldiçoar Israel e o homem abençoou. Balaque mudou de local, levou Balaão junto e mais uma vez ele abençoou ao invés de amaldiçoar Israel. Balaque ficou desesperado, mas Balaão explicou: “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; neste tempo se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem realizado!” (Números 23:23).
Contra o povo de Deus não vale encantamento e nem adivinhação. Que lindo! Balaão não conseguiu amaldiçoar a quem Deus abençoou, da mesma forma como ninguém pode amaldiçoar os amados do Senhor, porque já estão abençoados.
Pela terceira vez Baraque mudou de local com Balaão e pela terceira vez ele abençoou Israel. A ira de Baraque se acendeu contra Balaão e ele mandou Balaão tomar o caminho do feio, que é por onde veio e sem pagamento, afinal ele fez o “serviço” ao contrário.
Balaão era um profeta bem apegado ao dinheiro, do tipo que se vê comumente hoje em dia, ele só não amaldiçoou Israel, porque Deus não deixou, porém, em troca de dinheiro, ele ensinou aos inimigos de Israel como fazê-los cair e perder a proteção de Deus. O segredo estava nas mulheres de fora de Israel, que eram formosas e que fariam o povo de Israel cair em prostituição. E por intermédios dessas mesmas mulheres haveria a promiscuidade com os deuses estranhos, tirando de Israel a bênção do Senhor.
O registro desse episódio está mais adiante, veja: “E Moisés disse-lhes: Deixastes viver todas as mulheres? Eis que estas foram as que, por conselho de Balaão, deram ocasião aos filhos de Israel de transgredir contra o SENHOR no caso de Peor; por isso houve aquela praga entre a congregação do SENHOR.” (Números 31:15-16). É, meu amigo, Balaão não era exatamente uma flor que se cheire.
Na história de Balaão muita gente boa se prende a uma questão menor, irrelevante mesmo: se a jumenta falou mesmo, ou não. O fundamental não é uma jumenta falar, é o Deus que pode fazer até uma jumenta falar e Deus pode.
Não se prenda a detalhes, aprenda com a história de Balaão, um homem que foi usado por Deus, apesar de sua inclinação para mercadejar a Palavra do Senhor. A principal lição é não se deixar seduzir pelas riquezas desta vida, em detrimento da maior riqueza que se pode ter: a bênção do Senhor.
Bispo Anderson Camargo.

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