sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Mulher Cananéia
Leitura Bíblica: Mateus 15: 21-29
A história da mulher cananéia foi incluída nas Escrituras Sagradas para nos instruir quanto à natureza de uma fé verdadeira, a fé que é o dom de Deus, que é dado a todos que crêem em Jesus Cristo. Essa fé, sendo o dom de Deus, nos dá a capacidade para suportar todo tipo de provação, sem esmorecer e sem duvidar do amor de Cristo para conosco.
A importância da história está no fato de que ela descreve a fé de uma gentia, uma mulher grega que não tinha a cultura religiosa dos judeus. Ela foi visitada secretamente pelo Espírito Santo, de quem recebeu o dom de crer no poder salvador de Jesus Cristo. Por causa dessa inspiração, ela veio a Jesus, fez o seu pedido e recebeu a cura instantânea de sua filha.
Porém, o caminho para o milagre foi sofrido e humilhante. Perguntamos: Por que Jesus tratou a mulher daquela maneira? Não foi falta de interesse e nem ausência de compaixão por ela ser uma gentia. Jesus agiu daquela forma porque Ele quis descobrir a natureza da fé dela e fortalecê-la através de uma prova manifestadora. O Ap. Pedro ensina que fé, testada por provações difíceis, torna-se “muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” 1 Pe. 1:6-7. Certamente esta mulher sentiu algo da preciosidade desse dom de Deus quando viu sua filha em perfeita paz e saúde, “ pois o demônio a deixara” (Mc. 7:29-30).
A fé desta mulher foi o dom de Deus, por isso ela veio a Jesus com uma atitude de total confiança, acreditando que Ele teria compaixão dela. Estamos enfatizando que a fé verdadeira é o dom de Deus, porque ninguém pode vir a Jesus, se, pelo Pai, não lhe for concedido, (Jo. 6:65). A mulher cananéia veio a Jesus porque tinha recebido esta fé que é o dom de Deus. Sobre essa verdade, o Ap. Paulo escreveu: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fl. 1:29).
Veja como a fé dessa mulher manifestou-se como verídica, porque venceu todas as formas negativas na provação a qual foi submetida. “Todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1Jo. 5:4-5).
1. A sua fé venceu o silêncio. “ E eis que uma mulher cananéia, que veio daquelas regiões (de Tiro e Sidom), clamava: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Ele, porém, não lhe respondeu palavra”..Se Jesus não está respondendo com palavras Olhe para o Senário que alguma coisa ele vai dizer pra você,Jesus nunca vai deixar vc sem resposta Olhe para o Senário no Senário está a Resposta pra vc... (vs 22-23).(Veja bem que não está escrito que Jesus não respondeu nada está escrito que Ele, porém, não lhe respondeu palavra”) A mulher cananéia não foi a primeira pessoa a enfrentar esse silêncio espiritual. Muitos séculos antes, Jó, temente a Deus, experimentou o mesmo problema. Ele lamentava: “Eis que clamo: Violência! Mas não sou ouvido, grito: Socorro! Porém, não há justiça” (Jó 19:7). E, pendurado na cruz, o próprio Filho de Deus teve que suportar esse mesmo silêncio. “Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego” (Sl.. 22:2). Em ambos os casos, no momento certo, o silêncio foi interrompido e Deus galardoou os seus servos de uma maneira rica e generosa, (Jó 42:10-15; Sl 22:24). Mas, o que aconteceu com a mulher cananéia? A sua fé não esmoreceu, pelo contrário, dirigiu-se, esperançosamente, aos discípulos, pedindo-lhes a sua intercessão. Os discípulos disseram a Jesus: “Despede-a, pois vem clamando atrás de nós”.Ou seja os discípulos estavam querendo dizer atende logo esta mulher,quantas foram as vezes que interpretamos erroneamente esta fraze dos discípulos achando que eles expulsar aquela mulher quando na verdade eles intercederam por ela (Despede-a)Quer dizer atende Logo,Isso Significa que Deus vai levantar pessoas para interceder por nós.
Na experiência dos cristãos, todos, em dados momentos, têm enfrentado a perplexidade desse silêncio. Qual deve ser a nossa atitude? Talvez, em primeiro lugar, devemos examinar a natureza do nosso pedido. Estamos orando segundo a vontade de Deus? O nosso pedido está baseado no claro ensino das Escrituras Sagradas? Deus ouve somente as orações que representam a sua vontade. “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito” (1Jo. 5:14-15). Contudo, mesmo sabendo que a nossa oração é de acordo com a vontade de Deus, e ainda assim o silêncio continua, deixamos a fé agir e imitamos o Salmista que se achou numa situação semelhante: “De manhã te apresento a minha oração e fico esperando” (Sl. 5:3). E, em outro Salmo, ele acrescenta: “Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro” (Sl. 40:1).
2. A sua fé venceu o repúdio. Agora, em voz alta, Jesus passou a justificar o seu silêncio: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (v 24). Em primeiro instante, essa palavra justifica o seu aparente repúdio da mulher. Mas, devemos entender que, aqui, Jesus entrou em território gentílico com um propósito específico, não foi por acaso. Havia neste local uma mulher necessitada e Jesus veio para cuidar dela. Em outra ocasião, Jesus fora à terra dos gerasenos, outro local gentílico, com o fim específico de socorrer um homem endemoninhado. Depois de libertar aquele infeliz, Jesus regressou para o seu lugar entre os judeus (Mc. 5:1-20). Ainda numa outra ocasião, a Bíblia registra outro desvio interessante sobre as viagens de Jesus. “Era-lhe necessário atravessar a província de Samaria”, uma terra que os judeus evitavam. Mas, por quê? Jesus queria falar com uma outra pessoa necessitada, a conhecida mulher samaritana, (Jo. 4: 4-18, 39-42). Portanto, em nossa leitura, Jesus está nesse local gentílico com o fim específico de socorrer essa mulher que tinha uma filha, que estava “horrivelmente endemoninhada”, Então, por que esse aparente repúdio? Novamente, reafirmamos que, nesse processo todo, Jesus está testando a natureza da fé dessa mulher. A fé que vem de Deus não desfalece diante de circunstâncias negativas. Por isso, vemos essa mulher firme em sua confiança na misericórdia de Jesus. Ela é semelhante a Jacó que lutou com o anjo do Senhor a noite toda. E, quando o anjo quis livrar-se dele, Jacó renovou seu agarramento e gritou: “Não te deixarei ir se não me abençoares” (Gn. 32:26). A Bíblia tem um versículo que pode ser aplicado a circunstâncias semelhantes daquelas da mulher cananéia: “E não nos cansemos de fazer o bem (de permanecer na oração), porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” ( Gl. 6:9). Apesar das circunstâncias desanimadoras, a fé dessa mulher continua viva e atuante, porque era o dom de Deus que operava nela.
3. A sua fé venceu o impasse. Como é que a mulher cananéia reagiu diante deste impasse: Jesus veio somente para as ovelhas perdidas de Israel? A sua confiança na misericórdia infalível de Jesus não titubeou: “Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me!” (v 25). Ela não quis contestar as prioridades de Jesus, mas, também, não quis desistir de seu pedido original. Ao renová-lo, ela adotou uma atitude diferente, desta vez, prostrou-se aos pés de Jesus e o adorou. Esse ato tem a força de uma confissão: Senhor, eu confio na tua compaixão; creio que tu tens o poder e o desejo para me socorrer. Em todos os casos de adoração na Bíblia, o adorador está reconhecendo e confessando que o acontecimento, ou milagre, foi uma manifestação do poder de Deus. Quando Jesus se apresentou ao cego de nascença, este creu na palavra ouvida e adorou a Jesus, isto é, confessou a sua fé em Jesus como o Cristo e o Salvador de pecadores, (Jo. 9:35-38). Nesse contexto, somos exortados: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será confundido” (Rm 10:9-11). A mulher cananéia creu desta maneira, por isso, jamais seria confundida. Contudo, a sua fé seria sujeita a mais uma prova, e talvez, a mais difícil.
4. A sua a fé venceu a humilhação. Ninguém gosta de se sentir inferiorizado e humilhado, contudo, essa mulher teve que vencer estas palavras cortantes que Jesus proferiu. “Então ele (Jesus), respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (v 26). Jesus está chamando a mulher de cachorrinho. Mas a palavra não é tão ofensiva como parece. Os cachorrinhos eram bichos de estimação que viviam dentro da casa de seus donos, e não os cachorros vira-latas que viviam nas ruas sem dono. Qual foi a reação da mulher ao ouvir essa comparação? Em vez de ficar indignada, ela resolveu usar a mesma palavra para a sua própria vantagem: Ela, contudo, replicou: “Sim, Senhor, porém os cahorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos” (v 27). Parece que ela está dizendo: Sim, Senhor, trate-me como um cachorrinho e deixe-me receber uma migalha do teu poder, tenha compaixão de mim! A minha filha está horrivelmente endemoninhada, e tu és o único que tens autoridade suficiente para libertá-la desse mal! Esta mulher estava praticando um princípio fundamental das Escrituras Sagradas: “ Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe. 5:6-7). Com essa demonstração da constância da sua fé, Jesus não precisou de nenhuma outra prova quanto à veracidade da fé dessa mulher. Por isso, cheio de admiração, exclamou: “Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã” (v.28). “Voltando ela para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio a deixara”. (Mc, 7:30). Sem desmaiar diante das provações difíceis as quais foi submetida, essa mulher perseverou e recebeu a recompensa de sua fé – a salvação de sua filha. “E esta é a vitória que vence o mundo (e qualquer tipo de provação): a nossa fé” (1 Jo. 5:4).
Conclusão: Como podemos descrever a origem da fé dessa mulher? Com segurança podemos dizer que, de alguma maneira, ela ouviu acerca de Jesus e de como Ele tinha compaixão dos necessitados. Essa notícia foi acompanhada do testemunho de pessoas que ouviram as suas palavras e viram os seus milagres. Diante dessas evidências, ela creu nele. A Bíblia ensina: “A fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm. 10:17). Nós, também, se crermos no evangelho de Jesus Cristo, receberemos a mesma fé que a mulher cananéia recebeu. O primeiro passo para receber qualquer benefício espiritual é crer. Como a Bíblia ensina: “ É necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb. 11:6). Que cada um de nós possamos exercer a mesma fé que a mulher cananéia teve e, com certeza, alcançaremos vitórias semelhantes. Que seja assim.
Bispo Anderson Camargo.

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